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A mina de ouro que 96% dos lojistas ignoram

Por Roberta Toledo·

Não é problema de produto. Não é de preço. É de relacionamento!

O relatório NuvemCommerce 2026 (Nuvemshop + Opinion Box) identificou que 60% dos consumidores brasileiros querem participar de programas de fidelidade, mas apenas 4% dos lojistas oferecem esse benefício. De cada 100 clientes dispostos a se fidelizar, 96 saem sem encontrar nenhuma razão para voltar.

Não é problema de produto. Não é de preço. É de relacionamento, e o CRM é a ferramenta que transforma esse vácuo em receita.

Mulher loira sorridente, vestindo uma blusa amarela, segura um cartão cinza contra um fundo laranja vibrante.

O contexto que torna isso urgente

A ABComm projeta R$ 258 bilhões em faturamento para o e-commerce brasileiro em 2026. O mercado cresce, mas o CAC também: 42% das empresas afirmam que o custo de aquisição aumentou nos últimos anos, segundo o E-Commerce Brasil. Quem depender só de mídia paga vai ver a margem encolher.

O dado que fecha o argumento: segundo o CX Trends 2024 (Octadesk + Opinion Box), 76% dos consumidores têm mais propensão a comprar de marcas que oferecem programas de fidelidade. E o Panorama da Fidelização 2025, publicado pelo E-Commerce Brasil, mostrou que 94,9% dos brasileiros que participam de algum programa interagem com ele todo mês – 76% toda semana.

Fidelidade deixou de ser diferencial; virou expectativa de base.

O erro que você provavelmente está cometendo

A maioria dos lojistas que tentou criar um programa de fidelidade fez a mesma coisa: um cupom de desconto com nome bonito. O problema não é o desconto – é quando ele é o único mecanismo. Treina o cliente a comprar só com promoção, corrói a margem e não cria vínculo. Quando o concorrente oferece 5% a mais, o cliente vai embora; afinal o cliente que chega por preço vai embora pelo mesmo motivo.

O Panorama da Fidelização 2025 revelou o que realmente faz a diferença: 81,9% dos consumidores afirmam que reconhecimento – agradecimentos, mensagens personalizadas, tratamento diferenciado – influencia diretamente sua fidelidade. Mas apenas 9,6% já viveram essa experiência com alguma marca.

Esse gap de 72 pontos percentuais é onde o CRM entra. A WGSN nomeou o movimento no Future Consumer 2026: a “economia de aura” – marcas que constroem fidelidade duradoura fazendo o cliente se sentir lembrado e valorizado, não apenas recompensado. O programa de fidelidade cria o motivo para voltar. O CRM garante que essa volta seja reconhecida e comunicada na hora certa, de forma personalizada e pensando no perfil e comportamento de compra de cada cliente.

Mulher jovem com traços asiáticos e expressão alegre olha para um smartphone enquanto carrega sacolas de compras coloridas no ombro, contra um fundo laranja vibrante.

Qual modelo escolher

Não existe modelo universal – depende do seu produto e da frequência de compra.

– Pontos por compra voltou a liderar: pela primeira vez desde o avanço do cashback, o acúmulo de pontos reassumiu o topo do Panorama da Fidelização 2025 como benefício mais valorizado. O saldo acumulado cria um motivo concreto para voltar – o cliente não quer deixar pra lá o que já ganhou. Ideal para moda, eletrônicos, casa e decoração, semijoias.

– Cashback é o modelo mais transparente e fácil de comunicar. O segredo é o prazo de validade e comunicação estratégica: cashback com vencimento em 30 ou 45 dias cria urgência real e puxa a visita de volta automaticamente. Sem prazo, vira desconto diferido. Ideal para compras recorrentes – beleza, pet, alimentação, farmácia. Na hora de comunicar, não se limite a dizer que o cliente tem R$ 100,00 de cashback na sua loja: dê sugestões de quais produtos ele pode comprar utilizando o cashback, observando o que esse cliente navegou, clicou ou adicionou ao carrinho, mas ainda não comprou. Ou ainda: ofereça um produto relacionado àquele que ele comprou previamente!

– Níveis (tiers) combinam recompensas com status – Bronze, Prata, Ouro, Diamante. O poder está no efeito de perda percebida: quem está no Ouro não quer perder esse status. O estudo E-Consumidor 2026 (Nuvemshop + Opinion Box) confirmou que 45,4% dos consumidores querem acesso antecipado a promoções e 26,6% buscam grupos exclusivos – exatamente o que os tiers entregam. Ideal para bases maiores com perfis de valor distintos.

As quatro automações de CRM que fazem o programa trabalhar sozinho

Programa de fidelidade sem CRM é uma campanha. Com CRM, é uma estratégia. Estas são as automações que mais convertem:

1. Boas-vindas ao programa: disparadas no momento do cadastro, com saldo inicial e CTA claro para a primeira compra. Taxa de abertura entre 40% e 60%, porque chega no pico do engajamento.

2. Alerta de saldo prestes a vencer: “Você tem R$ 32 em pontos e eles vencem em sete dias. Veja o que você pode comprar com seus pontos”. Cria urgência real, não artificial. É o disparo com melhor relação esforço-resultado de todo o programa.

3. Recompra preditiva com pontos: o CRM identifica o ciclo de compra do cliente e combina com o saldo disponível. Exemplo: Ana compra ração a cada 28 dias. No dia 25, recebe: “Sua ração está acabando, e você tem R$ 20 em pontos para usar agora.” Isso não parece marketing; parece um serviço.

4. Oferta inteligente para proteger margem: cashback mais alto em categorias de maior margem, pontos em dobro para estoque parado, benefício extra acima de determinado ticket. Com esse controle, o programa não é custo, é investimento. Clientes fidelizados geram 25% mais receita por transação, segundo análise da Bond Brand Loyalty citada pelo E-Commerce Brasil.

Mulher em traje profissional segura um caderno aberto enquanto encosta uma caneta no queixo em um gesto de reflexão.

Por onde começar

Antes de qualquer plataforma, responda: o que o cliente ganha, quando e quanto isso custa em relação ao que você vai ganhar em recorrência? Se um cliente compra quatro vezes por ano e o programa o faz comprar seis, o incremento de duas compras paga o cashback com folga.

Com isso definido: integre ao CRM, configure as quatro automações acima e comunique o programa em todos os pontos de contato – confirmação de compra, e-mails transacionais, redes sociais. O programa que ninguém sabe que existe não funciona.

Meça o que importa: taxa de recompra, incremento de frequência de compra e LTV de membros versus não membros do programa de fidelidade. Lembre-se: número de cadastros não é métrica – é vaidade.

A janela está aberta. O consumidor está pronto. A maioria dos seus concorrentes ainda não chegou lá.

Escrito por
Roberta Toledo LinkedIn

Especialista em E-commerce, CRM e Retenção na Bevean. Formada em Administração de Empresas com graduação e comércio exterior e pós graduação em Marketing de Conteúdo Digital na PUC-RJ + PUC-PR. Mais de 15 anos de experiência em e-commerce e gestão de equipes comerciais no Brasil e no exterior.

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